O tempo que nunca é
O tempo para nós parece simplesmente natural pois parecemos estar “presos” nele de alguma maneira, não conseguimos escapar dos seus limites e vivemos em um fluxo do “antes, agora e depois”. Mas ele não é nem um pouco trivial, principalmente quando consideramos que o tempo também não parece ser bem uma passagem linear, e sim uma constante transformação, não há volta para o que já foi.
Uma das interpretações mais bonitas que vi até então foi a de Santo Agostinho, quanto ele pensa o que seria o “ser” do tempo.
O problema do ser é clássico da Filosofia, Heráclito e Parmênides já discutiam isso e a questão da realidade ser movimento ou permanência, respectivamente. Brevemente explicando, para Heráclito, tudo é movimento, é o cara do “não é possível entrar no mesmo rio duas vezes, pois nem você nem o rio serão os mesmos”, obviamente não com essas palavras, o cara não era recebeu a alcunha de “Obscuro” a toa. Mas se trata disso, da constante transformação da realidade.
Parmênides traz a questão do “o ser, é, o não ser, não é”. Então para ele, o que é real, simplesmente é, o que não é, não pode nem mesmo ser pensado ou imaginado. Ou seja, para Parmênides, tudo que você pensa, é ser, o não-ser, nunca pode ser pensado. Além disso, o ser não pode se tornar não-ser, o ser é eterno, permanece.
Mas é isso, esse é o pensamento de Parmênides, caso ele esteja certo, no que isso implica? Voltando para a temática principal, que é o tempo. O passado, o presente, e o futuro. O máximo que conseguimos imaginar são fragmentos de outras épocas, tanto passadas quanto futuras, em ambas nunca temos a dimensão em sua totalidade. E quanto ao presente? Nós parecemos viver objetivamente somente uma parcela dele, também não é possível capturá-lo em sua totalidade.
O passado não pode ser, pois ele já foi em algum momento.
O futuro também não pode ser, pois ele ainda será em algum momento.
O presente também não pode ser, pois ele está em um constante vir-a-ser, e que antes que percebamos, já não é mais. Não podemos capturar um único momento.
- Eu
Escrevi esse texto em cima do pensamento de Santo Agostinho, para ele tudo parece se perder no tempo. Mas então, o que exatamente permanece?
Para Agostinho, é aquilo que permanece em mim, da minha percepção atual do momento presente, das minhas memórias de momentos passados e das minhas esperanças para momentos futuros.
Um pouquinho sobre filosofia do tempo, foi uma área que me chamou bastante a atenção na faculdade. Parece trivial, mas a questão do tempo está fortemente vinculada à nossa linguagem, existe toda uma área que estuda o tempo que trespassa a filosofia. A divisão em Série A e B, do tempo cronológico (passado, presente e futuro) ao tempo “eterno”, que é um único porém em constante transformação.
Além disso nos traz paradoxos bem interessantes que a ficção gosta bastante de explorar. Quais as implicações de podermos voltar no tempo, por exemplo? Eu poderia alterar um fato necessário? Ou “o universo” de alguma forma sempre corrige a mudança? Ou será que crio um novo mundo possível? Se for fisicamente possível, então será que já cruzamos com algum viajante do futuro? Eu realmente não sei, mas já cruzei com muita gente doida no presente que as vezes fico na dúvida se não veio do futuro.